Eles gostam de uma boa fruta - Fanfic
Capítulo 1
Havia muita tensão entre eles, natural como a luz do dia, mesmo trabalhando em setores diferentes. Os colegas de ofício notaram logo de cara, e quando um faltava faziam gozações com o outro por terem deixado o que faltou tão satisfeito na cama na noite anterior que não aguentara ir ao serviço no outro dia.
O Jeferson a quem fora apresentado esse trabalho de descarregador de caminhão em uma empresa de exportação de mamão pelo Adailton, negava viementemente alguma relação homoafetiva culminada a eles; até clamava ser hétero arduamente. Contudo os indícios estavam todos ali, à mostra; havia aquela química de casal que vivem discutindo mas se gostam acima de tudo. Isso os denunciava. Noites e noites saindo da labuta tarde do luar, finalmente se encontravam para beber uma cerveja e principalmente ver um ao outro; feito que era aguardado por ambos o dia inteirinho enquanto faziam o que eram encarregados de fazer durante o expediente.
Adailton com frequência encontrava-se enfeitiçado pelos olhos de Jeferson e seu físico, não resistindo e sempre oferecendo uma mão amiga ao passar o protetor solar em dias de praia. Não apressava, tomava tempo. Gostava de sentir os músculos de Jeferson. Por outro lado, Jeferson parecia não se importar; gostava daquela atenção, gostava que falassem dos dois, pois tinha muita insegurança em admitir o que sentia pelo amigo Adailton.
Assim como bons espiões capturados e torturados em campo inimigo, nenhum dos dois revelavam esse segredo afável. É certo que conversavam entre si como amigos e etc, mas gostavam mesmo de conversar na presença de seu grupo de amigos, pois lá, e só lá, era revelado a verdadeira natureza de seu entrosamento amável. Adoravam a vergonha de intimidação quando casualmente seus atos de carinho trocados eram o tema de assunto entre os outros. Era como se uma vela de aniversário fosse acesa e a faísca em seus corações fosse queimando vagarosamente causando excitação.
É difícil construir uma narrativa onde mostra o começo e o desenvolvimento da paixão retraída dos dois; está tudo nos gestos, “o diabo está nos detalhes”. Exemplos podem ser uma forma boa de mostrar do que falo, como no dia em que o carro encalhou durante uma saidinha do grupo, tiveram que empurrar o carro para a bateria pegar no tranco. As mãos dos dois quase se esbarrando ocasionalmente, aquela força bruta que faziam que derramava bicas de suor, marcava os músculos por debaixo da camisa, e isso tudo era percebido por ambos. A química já descrita existia, porém a carnalidade atiçava a falta de decência em seus âmagos. Ficaram muito tentados a fazer ali mesmo se não fosse pelo contexto desastroso.
Ainda não está satisfeito? Posso citar outra ocasião onde em uma mesa de uma praça, pegos em conversas descontraídas a base de mistura de bebidas ou apenas Jeferson também o fez. Ali deu para ver como se num raio X o que se passava na mente dos companheiros. As fantasias, os desejos carnais, a simulação de como seria se eles furassem essa bolha da amizade e fossem além. Uma noite sequer, uma fugidinha sequer, ou apenas um beijo para abaixar o pino dessa panela de pressão que chia a tanto tempo alto ao fundo.
Todos nós conhecemos o universo, a forma estranha como ele atua, e de como em específico o destino dá uma atenção especial aos apaixonados. Pois bem, calhou que, por motivos maiores, apenas os dois foram possível de irem a uma festança na cidade vizinha. Esse era o dia, eles sabiam. Iriam beber e não haver nenhum conhecido próximo para iniciar os protocolos de receios instalados em suas mentes perdidamente ligadas ao outro.
O Uber foi chamado. Jeferson se sentou no banco do passageiro ao lado do motorista porque ainda não sentia a liberdade de se acomodar ao Adailton no banco de trás. No evento se esbaldaram, curtiram o DJ, tomaram de cerveja a mistura do que quer que fosse. Iam encontrando com conhecidos de vista de sua cidade, e por este motivo a chama da ideia de se pegarem desmembrava-se sem saber que essa mesma ideia era compartilhada. Em certa hora da madrugada, quando o frevo ainda animava a multidão, aparece então uma mulher que vem e atiça os dois individualmente rebolando em suas frentes. Nesse momento eles não sabiam em qual tecla apertar para soltar uma reação a esse infortúnio. A mulher sem ter o que queria se foi eventualmente assim como o evento.
Era 5, quase dando 6 da manhã, e eles precisavam ir embora. Chamaram outro Uber que estava à disposição naquele horário da matina. Eles sabiam que era pra ser naquela noite, sabiam que oportunidades vêm e vão como pegar mosquitos, pois quando você pensa que pegou, ao abrir a mão nota-se que está vazia.
Esperando a carona, sentados em um canto remoto, exauridos pelo som alto ainda zumbindo em seus ouvidos, a multidão se dispersando à sua volta, surgiu o ato de coragem; um impulso canônico. Os dois lado a lado, Adailton põe a mão esquerda na cintura de Jeferson, o olha para confirmar o que já estava óbvio, e pousou gentilmente sua outra mão na face de Jeferson puxando-o para o beijo que mudaria em tudo o modo como viveriam..
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