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Para onde olhar?

Primeiramente tenho que pedir desculpas por ser um homem branco e herdar a dívida por tudo o que meu sexo e minha cor fizeram até então; tenho que simplesmente calar a minha boquinha e me pôr em meu devido lugar. Por outro lado, mesmo que eu seja fadado a ser machista e racista em algumas ocasiões por causa da cultura que fui inserido, sou um ser humano como todos e tenho o direito de reclamar das minhas, talvez, desproporcionais dificuldades. O tio Sam me disse que sou livre, porém se eu comer toda a caixa de bombom vou ter cáries, se eu passar o dia todo na frente do computador terei depressão, e se eu falar o que eu realmente penso sobre o Estado Islâmico amanhecerei morto. Mas e aí? O que devo fazer? Olha só hein, não vai cometer os mesmos erros do passado. Acima de tudo viva o agora pois é só o que você tem. Carpe diem, momento mori, estoicismo, e toda essas merdas de virtudes. Só uma dica porque eu sou seu amigo, pense no futuro desde já enquanto é tempo. Pague o seu INSS para po...

Eles gostam de uma boa fruta - Fanfic

Capítulo 1 Havia muita tensão entre eles, natural como a luz do dia, mesmo trabalhando em setores diferentes. Os colegas de ofício notaram logo de cara, e quando um faltava faziam gozações com o outro por terem deixado o que faltou tão satisfeito na cama na noite anterior que não aguentara ir ao serviço no outro dia. O Jeferson a quem fora apresentado esse trabalho de descarregador de caminhão em uma empresa de exportação de mamão pelo Adailton, negava viementemente alguma relação homoafetiva culminada a eles; até clamava ser hétero arduamente. Contudo os indícios estavam todos ali, à mostra; havia aquela química de casal que vivem discutindo mas se gostam acima de tudo. Isso os denunciava. Noites e noites saindo da labuta tarde do luar, finalmente se encontravam para beber uma cerveja e principalmente ver um ao outro; feito que era aguardado por ambos o dia inteirinho enquanto faziam o que eram encarregados de fazer durante o expediente. Adailton com frequência encontrava-se enfeitiça...

Pulsação

 Me encontro em uma situação das mais bizarras da minha vida agora. Faz cerca de uns 10 minutos que estou nesse quarto cheio de mofo. Na minha frente vejo telas, várias delas; aparentemente são imagens de câmeras e estão todas mostrando um homem nu em um quarto parecido com o meu, cada câmera virada para um ângulo diferente. Ele está sentado agora ao que parece... meditando? Na verdade, desde que me lembro de estar aqui nessa porcaria de lugar. Em tempos em tempos acontece uma coisa que eu não consigo descrever direito, o teto... as paredes... o quarto todo dele vibra. Parece doer muito. Lembra bastante uma possessão demoníaca. Quando acaba ele volta ao que estava fazendo. Nos primeiros minutos forçava minha mente ao extremo tentando descobrir a minha última memória sem ser nesse lugar; não consegui. É impossível tentar me imaginar sem estar aqui, parece ser o meu berço; onde cresci e fui criado. Mas de onde então veio o conhecimento externo que sei que existe em algum lugar de mim...

Versão única

 Pra começo de conversa digo que sou do futuro, ou melhor, do seu futuro. Precisamente no ano de 2184, e não, o mundo ainda não acabou até onde eu sei. Me recuso a entrar em detalhes pois a maioria das grandes transformações foram sociopolíticas, o que não passa de cansativo e inútil. O que eu realmente quero dizer aqui é o meu singelo ponto de vista sobre meus companheiros de século, suas formas de se expressarem corporalmente. De antemão digo que sou velho, na verdade me sinto velho. Não o típico rabugento que não gosta de mudanças, mas o que para um momento do dia pra escrever sobre algo que jugou ser relevante e que de nada importa aos outros pois é o normal. Por isso também redireciono a observação que farei ao passado, ao passado que vive na minha cabeça. Deixando de disque me disse vou ao assunto de vez. A grande estilização começou devagar, como todas as outras revoluções. As pessoas tingiam os cabelos, faziam crossovers em eventos, bronzeamento artificial, um brinco ali, u...

Sementes do fruto proibido

A companhia espacial de Lagutrop ativou o projeto “espólios”, onde cada nave composta apenas por um macho e uma fêmea da espécie tem o dever de habitar um planeta inabitável, ou com formas de vidas inferiores, estabelecer base autossustentável, procriar até formar uma população que cresça exponencialmente, e voltar para Lagutrop para colher os frutos do trabalho duro. Com cerca de 500 embarcações sendo lançadas ao mesmo tempo, alguns que se mantiveram no planeta sentiram um tipo de abalo sísmico e inspiraram fumaça de combustível vegetal. Aconteceu enfim o maior passo já dado com o objetivo de conquista. Todas as naves então seguiram rumos diferentes, mas com o mesmo destino: o desconhecido. Logo em 30 dias os primeiros que já havia uma certa noção dos possíveis planetas para a colonização se estabeleceram, outros tiveram que ir mais longe pela vastidão. Uma em específica chama atenção, Apo13. Encontraram anomalias de energia em um quadrante e perceberam que estavam na presença de um a...

Ameaça

 _ Já parou pra pensar em como sugestivos nós somos? _ Como assim? _ Por exemplo, se eu pegar essa pedra aqui do chão e dizer que em algum momento eu irei jogar ela direto na sua cara, naturalmente você criará uma ansiedade imaginando quando eu iria taca-la, mesmo sabendo que esse não corresponderia com o meu comportamento, ou que nossa amizade de anos a fio já tenha comprovado a minha confiabilidade. _ Tá, já consigo sentir a ansiedade. _ Não seria louco se eu simplesmente tacasse ela e desafiasse completamente o seu lado racional que diz que as chances disso acontecer serão nulas? _ Ei, ei. Melhor deixarmos essa situação hipotética de lado. _ Veja bem essa pedra, ela não é tão grande ou pesada ao ponto de te machucar seriamente, e há uma chance considerável de eu errar se jogá-la dessa distância. Provavelmente você não está com medo da dor que ela possa causar, pois sabe que em algum momento a capacidade de se acostumar com as situações que o ser humano possui vai te dominar e tr...

O criador

A grande unidade onisciente soberana observava a sua mais nova criação. Chamaremos essa unidade de Deus pois não há pronomes que sejam apropriados. Deus então olhava especificamente a cronologia do rumo da vida, não era a sua obra-prima, mas havia uma particularidade no nível de consciência dado a ela; existia uma quase compreesão do seu real criador. Sua onisciência dolorosa e solidão fez-lhe uma proposta em sua extensa imaterialidade de manta cósmica: quiz sentir a vida. Em instantes se transformou em ossos revestidos de carne e viu a luz pela primeira vez, já então não havia nenhuma camada de conhecimento. Começou do ínicio afim de reconhecer sua própria presença. Dali em diante, ele (agora podemos rotular) cresceu maravilhosamente. Via o tempo de uma forma que nunca havia visto antes: linear progressivo. Trazia agora sentimentos que o movia, comunicava de forma abstrata comparado a maneira anterior, e se locomovia com empecilhos o atrapalhando. Por algum motivo se sentia livre, mas...