O criador

A grande unidade onisciente soberana observava a sua mais nova criação. Chamaremos essa unidade de Deus pois não há pronomes que sejam apropriados. Deus então olhava especificamente a cronologia do rumo da vida, não era a sua obra-prima, mas havia uma particularidade no nível de consciência dado a ela; existia uma quase compreesão do seu real criador.

Sua onisciência dolorosa e solidão fez-lhe uma proposta em sua extensa imaterialidade de manta cósmica: quiz sentir a vida. Em instantes se transformou em ossos revestidos de carne e viu a luz pela primeira vez, já então não havia nenhuma camada de conhecimento. Começou do ínicio afim de reconhecer sua própria presença.

Dali em diante, ele (agora podemos rotular) cresceu maravilhosamente. Via o tempo de uma forma que nunca havia visto antes: linear progressivo. Trazia agora sentimentos que o movia, comunicava de forma abstrata comparado a maneira anterior, e se locomovia com empecilhos o atrapalhando. Por algum motivo se sentia livre, mas que outrora saberia que isso é uma mera ilusão.

Desenvolveu-se, adaptou-se ao estilo de vida dos demais, sendo mais um na multidão. Foi apresentado a algumas teorias e hipóteses a respeito de sua existência como já era de se esperado; concordou com umas, repudiou outras. Aumentou em si a curiosidade de saber a verdade, mesmo conseguindo viver com a ignorância. Chegou então ao fim do ciclo da vida, morreu acidentado com sua carne dilacerada. Acabou sem descobrir o enigma da vida, ou mesmo o motivo de estar ali. Entrou em um processo gradativo de desmaterialização e foi perdendo sua forma. Ao passo ia se acostumando com as informações que retornavam, saciando dúvidas recorrentes que tinha em vida. Chegou a maior delas: o sentido da vida, da qual o seu próprio sopro criou. A resposta era simples: bananas.

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