Sementes do fruto proibido

A companhia espacial de Lagutrop ativou o projeto “espólios”, onde cada nave composta apenas por um macho e uma fêmea da espécie tem o dever de habitar um planeta inabitável, ou com formas de vidas inferiores, estabelecer base autossustentável, procriar até formar uma população que cresça exponencialmente, e voltar para Lagutrop para colher os frutos do trabalho duro. Com cerca de 500 embarcações sendo lançadas ao mesmo tempo, alguns que se mantiveram no planeta sentiram um tipo de abalo sísmico e inspiraram fumaça de combustível vegetal. Aconteceu enfim o maior passo já dado com o objetivo de conquista.

Todas as naves então seguiram rumos diferentes, mas com o mesmo destino: o desconhecido. Logo em 30 dias os primeiros que já havia uma certa noção dos possíveis planetas para a colonização se estabeleceram, outros tiveram que ir mais longe pela vastidão. Uma em específica chama atenção, Apo13. Encontraram anomalias de energia em um quadrante e perceberam que estavam na presença de um astronômico buraco de minhoca. Com a ideia de desbravamento na cabeça, em um debate de 3 dias do casal de cosmonautas, houve o acordo mútuo de enfrentar aquele portal obscuro. Feito isso, passando por uma grande turbulência sem comprometer a estrutura de ouro maciça da nave, os nossos dois aventureiros aqui chegaram em uma zona estéril do universo. Totalmente à deriva sem qualquer detecção de fótons, vagaram no deserto do vácuo até avistarem um oásis de galáxias. Cada uma com seus tentáculos em espirais mais brilhantes e chamativos que a outra; uma linda dança cósmica ritmada sem ensaio. Depois de passar o frenesi de ver o vazio se preencher novamente, os dois rodearam por sistemas lunares, sistemas estrelares, e por fim sistemas solares até encontrar o planeta propício, isso é, depois de mais debates que duravam dias. Escolha tomada, a espaçonave que fora mais longeva a se manter viajando de todas da missão, curiosamente não aguentou o tranco de aterrissar sem estraçalhar com a lataria. Sorte dos tripulantes por haver uma cápsula separando-os das placas grossas de ouro externa, penetrando assim a atmosfera como um espermatozoide em um óvulo.

Saltando pela escotilha tendo em mente que não voltariam pro planeta império, saía a espécie bípede em seus trajes de pele de corvote (uma espécie de morcego gigante de Lagutrop). Deram as primeiras tragadas de nitrogênio e oxigênio que o próprio planeta fornecia, e logo em seguida dos efeitos de adaptação ao novo mundo passar, viraram um para o outro e disseram:

_ Eva, eu tenho uma coisa pra te contar. Eu sou gay.

_ Ufa, que alívio Adão. Não queria cometer incesto.

_ Vamos fazer uma horta?

_ Demorou.

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